Dicas Importantes de Como Agir No Exterior

Dicas Importantes de Como Agir No Exterior

Por Ricardo Pessoa

Que cuidados devo tomar para não queimar meu filme no meio da rua? Em que países as minhas roupas podem me deixar numa saia-justa? O que devo levar em conta na hora de cumprimentar? Saber as diferenças fará diferença e evitará situações constrangedoras quando se visita países de culturas adversas.

IZMIR, Turquia – O número de estudantes e profissionais brasileiros no exterior tem crescido a cada ano. Os eleitores brasileiros no estrangeiro já passam o número de 105 mil. Cada vez mais, oportunidades de conhecer outros continentes são oferecidas a brasileiros, que não desperdiçam a chance de realizarem o sonho de cruzar fronteiras. Se essa porta se abrir a você também, tenho alguns conselhos práticos que poderão amenizar seus choques e até te livrar de situações embaraçosas. Um antropólogo e escritor do século passado chamado Edward T. Hall, disse que “não existe uma só coisa que fazemos, dizemos, escolhemos, usamos ou pensamos que não siga ou não ofenda uma das imposições de bom gosto, ou tato, ou ética de boas maneiras ou etiqueta – o nome não importa.” Não há para onde correr. Erramos em nossa cultura, vamos errar nas outras também. Portanto, vamos parar de super valorizar nossos costumes e de desprezar os outros (ou vice-versa) e nos abrir para explorar, sem medo, esse mundo cheio de cor e diversidade que Deus criou.

Na Rua

A gerente de imprensa e relações públicas do VisitBritain, Mitsi Goulias, tem experiências de sobra quando o assunto é comportamento no exterior. No site etur.com.br Mitsi dá vários toques importantes sobre países que não tive oportunidade de conhecer. Ela diz que em certos países, comportamentos absolutamente normais para nós, brasileiros, podem virar grosseria se feitas em público. Na Coréia do Sul, ninguém assoa o nariz na rua e, no Japão, as pessoas não espirram diante das outras. Em Seul, não tente atravessar avenidas e ruas. Prefira as passagens subterrâneas existentes em todos os cruzamentos. Em lugares como a Suíça, os pedestres que cruzam a rua fora da faixa ou com sinal vermelho são advertidos. No Japão, pega mal falar alto ou gargalhar de uma piada, principalmente para as mulheres. Na Indonésia e Tailândia, casais de namorados não devem se beijar ou trocar carícias na frente dos outros. Para os indianos, ser encarado por estranhos é uma forma de humilhação. Em cidades grandes como Nova York e Paris, os inevitáveis esbarrões devem ser acompanhados de “Excuse me” e “Pardon”. Homens, cuidado na hora de olhar uma moça atraente que passa. Especialmente em países do Oriente Médio. Não me lembro de ter visto algum homem dar “a segunda olhadinha” por essas bandas. Se dirigir, obedeça as placas de “pare” (STOP), mesmo que esteja num fim de mundo só você e Deus. Saiba que se você violar uma lei de trânsito, principalmente na Europa ou America do Norte, você poderá passar uns dias vendo o sol nascer quadrado.

O que vestir?

Especialmente em países islâmicos. Nos mais ortodoxos, as mulheres andam cobertas da cabeça aos pés, sem expor braços ou pernas. Os cabelos também ficam escondidos sob um véu, que só pode ser retirado diante do marido. Dos homens, espera-se que andem com camisas de mangas longas e calças compridas. No período do Ramadã (Jejum muçulmano de 30 dias), esqueça as cores fortes, especialmente o vermelho. Na Índia, a menos que queira ser mais fotografado mais do que o Taj Mahal, não use roupas justas e decotadas. No Egito, só vista roxo se estiver de luto. Na Europa, saiba que os minúsculos biquínis brasileiros causam furor. Ali, o topless é encarado com naturalidade – mas as tangas, decididamente não. Nas praias da África do Sul mostrar as coxas é vergonhoso, os seios não.

Cumprimentos

Beijos no rosto entre homens é muito comum em várias culturas. Mas não se preocupe, nenhum marmanjo te pegará a força para beijar sua bochecha. O boato de que os russos se beijam na boca, não é mentira, mas também não é como dizem. É fato que vários políticos já foram fotografados e filmados dando um selinho (ou selão). No entanto, no meio do povão isso não rola. O que vale na maioria dos lugares é o universal aperto de mão. Japoneses, chineses e coreanos curvam-se para a frente, intensificando a inclinação para demonstrar respeito. Esse gesto sim, posso dizer que é esperado. Se for feito você vivenciará uma maior aceitação por parte da população local. Indianos e tailandeses juntam as mãos em forma de prece, na altura do peito. Nos países islâmicos, utilize apenas e a todo o custo somente a mão direita para cumprimentar. Lembre-se que a esquerda, por ser usada para a higienização pessoal, é considerada impura. Nos EUA, contenha-se. Não saia distribuindo beijos e abraços, prefira o aperto de mãos. O princípio “cada tem um espaço que não deve ser violado” está na mente de cada norte-americano. Os latinos trocam abraços e tapinhas nas costas, mas os povos escandinavos são avessos a demonstrações efusivas. Se você ainda prefere o tradicional aperto de mão, nunca o faça com a outra no bolso, o que é visto como tremenda falta de educação em lugares como a Alemanha. Nos países orientais tire os óculos escuro para cumprimentar e conversar com alguém, o olhar comunica tanto quanto palavras.

Questão de pontualidade

Não são só os ingleses. Também os suíços, alemães, escandinavos e orientais em geral estão entre os povos mais pontuais do mundo. Em seus países os trens partem, por exemplo, em horários quebrados – como 9h37. Nos Estados Unidos, espera-se que, ao reservar uma mesa num restaurante, a pessoa chegue com cerca de quinze minutos de antecedência. Já na América Latina, o conceito de pontualidade pode ser bem elástico. Mas tenha em mente que chegar atrasado é visto como um desrespeito ao tempo dos outros.

Um antropólogo e escritor do século passado chamado Edward T. Hall, diz que entre os árabes de regiões urbanizadas do Mediterrâneo Oriental – para considerar um exemplo de outro sistema de tempo – a unidade que corresponde ao nosso período de 5 minutos é a de 15 minutos. Assim, quando um árabe chega quase 30 minutos depois da hora marcada, por sua conta não está sequer “10 minutos” atrasado (segundo nossa unidade de tempo). Em outras palavras, o atraso do árabe não chegará sequer a um nosso período significativo (15 minutos em nosso sistema). Normalmente, um norte-americano ou um europeu não esperará mais do que 30 minutos (dois períodos significativos) para que a outra pessoa apareça num encontro diurno (os latino-americanos tendem a esperar de 30 minutos a 1 hora). Dessa forma, quem age assim, sem saber está ofendendo as pessoas do Oriente Médio com quem deseja fazer amizade.

Gestos e trejeitos

O círculo feito com o polegar e o dedo indicador, que para nós e para os turcos é gesto obsceno, para os americanos significa o.k. No Japão, quer dizer dinheiro; na França, algo sem valor; na Alemanha, equivale a chamar alguém de idiota e, na Tunísia, é uma ameaça de morte. Na Tailândia, Albânia, India e Bulgária, os movimentos de sim e não feitos com a cabeça são invertidos. Na Austrália, fazer o “V” da vitória ou o conhecido gesto positivo com a mão fechada e o polegar para cima quer dizer que você está mandando alguém para aquele lugar indevido. Na Turquia, Romênia, Grécia e em alguns países latinos, a mão em figa tem conotação sexual, enquanto na Polônia, Rússia, Iugoslávia e Bulgária é uma resposta de cunho negativo. O gesto usado para pedir carona vira um convite sexual na região da italiana Sardenha e na Grécia. No Egito, esfregar os dois indicadores em movimentos paralelos é interpretado com segundas intenções.

Nos países árabes e na Turquia, mostrar a sola do sapato ao cruzar as pernas é grosseiro, pois esta é considerada a parte mais suja. Exibir a palma da mão para um grego, com os dedos esticados e abertos é a pior ofensa. Provém do costume bizantino de esfregar sujeira no rosto dos inimigos. Colocar as mãos nos quadris e encarar um mexicano dá a entender que você o está chamando para uma briga. Na Bélgica e na França, não pega bem para um homem ficar em pé, com as mãos nos bolsos, enquanto conversa com alguém. Na Itália, não apalpe as frutas para ver se estão maduras, a menos que queira aprender palavrões.

O que conversar

Evite assuntos polêmicos como política, religião e futebol. Cuidado ao fazer piadas. O senso de humor varia entre os povos. Não confunda um austríaco com um alemão, um belga com um francês, um lituano com um russo e muito menos um turco ou iraniano com um árabe. Canadenses não apreciam comparações entre seu país e os Estados Unidos. Sul-africanos já se cansaram de falar do Apartheid. Os alemães levam a sério comentários como “a gente se fala” ou “passa lá no hotel”. No Japão, os elogios costumam ser encarados como falsidade. Na França, saiba que será mais bem tratado se mostrar que conhece algumas palavras em francês. Nos EUA, não se meta em discussões com autoridades. Perguntar a um americano quanto ele pesa, mede ou ganha também não é a melhor maneira de fazer amizade. E cuidado, muito cuidado, para não se enrolar todo com o portunhol.

Homem X Mulher

Em contextos muçulmanos, o ideal é manter uma distância respeitosa do sexo oposto. Rapazes, não saiam encarando as mulheres; garotas, estejam atentas, a liberdade feminina é bem restrita. Além de terem de cobrir boa parte do corpo, muitas mulheres muçulmanas só podem sair à rua acompanhadas de outra mulher ou do pai, marido, irmão ou outro parente do sexo masculino.  Também fazem as refeições em separado. Certos países não dão permissão para elas dirigirem. Namorados só devem se tocar depois do casamento. Nos transportes públicos, pessoas do sexo oposto não se sentam lado a lado. A poligamia é praticada em muitos países do Oriente, portanto, se você se envolver com algum homem que professa o Islã certifique-se de sua situação conjugal. Saiba que as mulheres brasileiras estão entre as preferidas dos seguidores de Allah.

À mesa

No Japão, esqueça algumas recomendações da sua mãe: coma o macarrão colocando uma extremidade na boca e sugando o resto; tome sopa direto da tigela, sem colher. Coreanos e chineses dividem o mesmo prato central. Tomar a sopa ruidosamente na China é um elogio aos anfitriões. Na Índia, Malásia, Egito, Marrocos, Arábia Saudita e Tailândia, use só a mão direita. Repito, a esquerda é para a higiene íntima. Na Inglaterra, não “enxugue” o molho com o pão. Ou será confundido com Conan, o Bárbaro. O mesmo pensarão os franceses se você usar palito de dentes. Limpar o prato e talheres que você ainda vai usar com o guarda-napo, é perigoso. Quando oferecerem algo a você na Europa Ocidental diga a verdade: Sim, eu quero. Não, obrigado. Eles não vão perguntar outra vez. Isso será entendido com naturalidade e sua vontade será respeitada. O contrário acontecerá nos países da Europa Oriental e dos Orientes Próximo e Médio. Assim como no Brasil haverá certa insistência para que se aceite o que está sendo oferecido. Talvez duas, três, quatro vezes. Nesse caso, seja bem brasileiro.

Por fim, devemos lembrar que somos e sempre seremos estrangeiros seja visitando ou morando fora do país. Por natureza somos alegres, espontâneos, criativos, divertidos, mas essas características que  nos definem podem ser mal interpretadas. Muitos homens têm uma idéia errada da mulher brasileira. Conheço algumas que tiveram que sair correndo de vendedores nas ruas de Istambul e outras que quase foram trocadas por camelos no Egito. Agir com respeito e sinceridade é a chave para conquistar a simpatia de qualquer povo. Equívocos são esperados e quase sempre compreendidos, mas seja sensível ao ambiente em que está, observe, admire e aproxime-se das pessoas como aprendiz e não como professor. Não perca a oportunidade de aprender as coisas boas das outras culturas. Seja amigo e ganhe amigos. A gentileza baseado no amor ao próximo quebra todas as barreiras, minimiza diferenças, aproxima as distâncias e abre portas para novos horizontes. Até a próxima!

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